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Investimentos de longo prazo impulsionam indústria em 2023

O Governo Federal anunciou em janeiro deste ano seu novo plano de ação com foco na neoindustrialização do país: a Nova Indústria Brasil (NIB). O plano destina R$ 300 bilhões para avanços até 2026. Ele foca no retorno do Estado como principal impulsionador do desenvolvimento nacional.

A maior parte dos recursos são provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), seguindo da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapa).

O presidente do BNDES Aloizio Mercadante destacou que R$ 271 bilhões serão destinados a financiamentos, R$ 21 bilhões a créditos não reembolsáveis e R$ 8 bilhões serão aplicados em participações acionárias.

Quatro eixos



A NIB possui quatro eixos e o investimento de R$300 bilhões é distribuído entre diferentes linhas de financiamento para os mais diversos setores da economia: Indústria Mais Produtiva (R$ 182 bi); Indústria Mais Inovadora e Digital (R$ 66 bi); Indústria Mais Exportadora (R$ 40 bi); e Indústria Mais Verde (R$ 12 bi).

Recursos aprovados (2023)

Em 2023, já foram aprovados R$ 77,5 bilhões para projetos em iniciativas que agora passam a integrar o plano, sendo R$ 67 bilhões do BNDES e R$ 10,5 bilhões da Finep. 

O especialista em inovação e sócio da Macke Consultoria André Maieski faz a ponte entre empresas e incentivos. Ele teve participação no processo de alguns recursos ofertados pelo programa NIB, dentre eles, os recebidos pela Volkswagen, que em 2023 obteve R$ 259 milhões da Finep e, neste ano, R$ 500 milhões do BNDES para impulsionar projetos inovadores.

“É gratificante conectar grandes empresas como a Volkswagen a estas incentivos. Contribuímos assim com o avanço da tecnologia e o desenvolvimento do país”, afirma Maieski.

Mais Inovação

O Mais Inovação faz parte do Plano Mais Produção, braço de financiamento da Nova Indústria Brasil. É um programa de apoio à implantação de investimentos e projetos voltados para inovação e digitalização, mediante utilização de recursos remunerados pela Taxa Referencial (TR), conforme aprovado pela lei nº 14.592, de 30 de maio de 2023.

O BNDES aprovou R$ 5,3 bilhões para o programa em 2023, um aumento de 132% em relação a 2022. Considerando apenas operações contratadas diretamente com o Banco, o total aprovado foi de R$ 3,9 bilhões, incremento de 181% sobre o ano anterior.

Já a Finep, financiou 637 projetos do Mais Inovação em 2023 que totalizam R$ 5,73 bilhões. Desse montante, R$ 1,65 bilhão foram em forma de subvenção, no qual a Finep investe recursos do FNDCT sem exigência de retorno. Em contrapartida, os empréstimos totalizaram R$ 4,06 bilhões, dos quais mais de R$ 700 milhões foram direcionados a 304 micro e pequenas empresas. Os projetos mais contemplados se enquadram nas áreas de descarbonização, transição energética e bioeconomia, com um total de R$ 1,9 bilhão; seguidas pela transformação digital, com R$ 1,37 bilhão; e pela indústria da defesa, com R$ 982 milhões. O setor de saúde recebeu um aporte de R$ 480 milhões.

Private Equity/ Venture Capital

Startups e empresas de pequeno e médio porte também foram alvo de investimentos nos últimos meses. Os fundos de Private Equity e Venture Capital somaram R$30,1 bilhões em 2023.

A soma dos valores das operações de Private Equity – investimento em empresas já consolidadas – em 2023 no Brasil teve alta de 19% na comparação com o ano anterior. Foi o primeiro crescimento desde 2020. Em 2023, o segmento fechou o ano com R$ 22,7 bilhões em investimentos, ante R$ 19 bilhões do ano anterior. Os dados estão no relatório trimestral da indústria feito pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) em parceria com a TTR Data. 

Já o volume de investimentos de venture capital recuou 57% em 2023, em relação a 2022. Foram R$ 7,4 bilhões em transações de VC em todo o ano de 2023, contra R$ 17,5 bilhões registrados nos 12 meses anteriores.

Mercado de Capitais

De acordo com a Anbima, as emissões do mercado de capitais atingiram R$ 463,7 bilhões em 2023, com dezembro (R$ 74,5 bilhões) registrando o melhor desempenho mensal do ano. O montante total teve uma queda de 14,9% na comparação com 2022.

As debêntures lideraram as captações, com R$ 236,3 bilhões em ofertas, impulsionadas pela performance no último trimestre (R$ 94,3 bilhões), mas com uma redução de 12,7% no confronto com o ano anterior. O setor de energia elétrica ficou à frente, totalizando R$ 62,4 bilhões, seguido de transporte e logística (R$ 30,6 bilhões) e saneamento (R$ 28,4 bilhões). Na análise da destinação dos recursos, 30,9% foram para investimentos em infraestrutura, um patamar bem superior ao de anos anteriores – em 2022, havia sido 20,2%.

Investimentos de longo prazo

André Maieski também enfatizou a importância das fontes de dívida de longo prazo para impulsionar a indústria brasileira. “Elevar o nível de investimento em inovação, modernização e sustentabilidade é urgente. Tais medidas têm impacto direto na competitividade da indústria nacional e na sua capacidade de expandir no mercado internacional. Essa abordagem é fundamental para garantir a exportação de bens e serviços de alta qualidade e fortalecer a posição do Brasil no cenário global”, completa.

Nova Indústria Brasil

Setores que investem, por exemplo, em inovação, sustentabilidade e modernização estão alinhados com os critérios dos bancos de fomento estabelecidos pela NIB e têm a possibilidade de submeter seus projetos para obter recursos.

Diante das etapas envolvidas no processo, muitas empresas optam por buscar o suporte de consultorias especializadas, como a Macke Consultoria.

Com mais de quinze anos de atuação, a Macke auxilia empresas desde a elaboração dos projetos até a captação de recursos. Sua equipe multidisciplinar tem o objetivo de auxiliar empresas a otimizarem suas chances de sucesso na obtenção dos incentivos disponíveis.

“Nota-se que a FINEP e o BNDES são importantes fontes de financiamento a longo prazo, com prazos de carência de 2 a 3 anos, em média. As operações de financiamento com prazos de 10 a 12 anos também indicam um caminho viável para que as empresas realizem investimentos com taxas de juros muito competitivas”, destaca André Maieski.

 

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